Eu nasci em uma família pobre. Algumas vezes vi o desespero nos olhos da minha mãe por não ter dinheiro para alimentar a nossa família no dia seguinte. Ela sempre dava um jeito e, graças a Deus, nunca cheguei a passar necessidades. Eu nunca pedia para ir nas excursões da escola e nem para lanchar no Mc Donalds quando íamos ao shopping center por que sabia que para pessoas como a gente, aquilo não era possível.
Fui agraciada por pessoas especiais que pagaram os meus estudos, então, pude assistir aulas em escolas particulares, mas não podia me dar o luxo de achar que pertencia ao mesmo mundo que as pessoas da minha sala. Enquanto minhas amigas planejavam suas festas de 15 anos e discutiam as cores de seus vestidos bufantes, eu pensava em como faria para comemorar com elas, já que não tinha dinheiro para um vestido novo, nem condições de comprar o presente que elas mereciam e nem mesmo de usar o serviço de taxi para chegar no local do baile. Por fim, ia meio tímida, sem presentes e com o mesmo vestido de sempre, mas com o coração grato por poder participar de festas tão legais como aquelas, afinal, as outras meninas da minha rua nunca tinham participado de uma baile de debutantes antes. No final das contas, eu era uma felizarda por ter um convite para estar ali.
Apesar de ter sido difícil e algumas vezes doloroso esconder das minhas amigas a minha realidade, conviver com pessoas que tinham um poder aquisitivo melhor que o meu, despertou em mim a vontade de mudar a minha sorte, afinal de contas, só dependia de mim, certo?
![]() |
| Natal de 2011, quando trabalhei fazendo fotos do Papai Noel com as crianças no shopping. Amava <3 |
O dinheiro veio, não tanto quanto gostaria, mas em quantidade o suficiente para que coisas antes tão distaaaantes pudessem a ser mais palpáveis. Viajar e conhecer lugares que faziam meu estômago doer quando via na televisão, poderiam sim acontecer.
Minha primeira viagem internacional foi para a Argentina. Foi um sonho poder andar por aquelas ruas que pareciam ter saído de uma tela de pintura. Pude tocar em animais selvagens em Lujan e claro apreciar o tango. Foi inesquecível! Parecia um sonho! Depois dessa viagem achei que demoraria anos para ter aquela sensação novamente. Aquele mix de medo e alegria por estar em um espaço estranho com pessoas culturalmente diferentes de você.
No início do ano compramos uma passagem para os Estados Unidos, Los Angeles para ser mais exata. Não acreditei que aquela cidade estaria debaixo dos meus pés em poucos meses. Tinha certeza que meu visto ia ser negado, mas minha entrada foi aceita. Tinha certeza que o avião ia cair, mas não passei por nenhuma turbulência. No taxi, no caminho pro hotel, tinha certeza que íamos bater e não íamos conseguir viver mais nada naquela cidade. Eu tinha o sonho americano, mas nunca, jamais, nem nos meus melhores planos eu o realizaria tão nova. De noite no hotel, na nossa primeira noite chorei, chorei com a alma, porque toda a alegria que tinha dentro de mim não tinha como ser expressada de outro jeito. Lembro de ter tomado um cuidado enorme para não acordar meu marido, estava tão emocionada que esqueci que ele tinha sono de pedra.
O que quero passar com esse texto todo é bem clichê eu sei. Mas é porque, diferente de muita gente que nasceu em berço de ouro e pode ostentar na internet suas viagens, eu sou a prova de que sonhar já é metade do caminho para fazer as coisas acontecerem. A realidade que você vive hoje não tem que ser a que você vai viver para sempre.
Espero que a série de postagens que vou começar a fazer hoje sobre a minha viagem, possa mostrar para você que o mundo é muito maior do que você pode imaginar e se eu consegui chegar em alguns lugares mesmo tendo tão pouco no início da minha vida, você também pode realizar desejos do seu coração. Espero que as dicas que vou dar aqui, possa ajudar você a ter uma viagem tão incrível quanto a que pude ter.
Vamos nessa?



















